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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

KIT DO PSICOPEDAGOGO



Este kit deve acompanhá-lo durante toda sua caminhada enquanto ensinante e aprendente.Nele, você encontra o indispensável para exercer com humanidade a profissão que quer abraçar:

Uma lupa, para que você possa ampliar seu campo de visão e enxergar além das aparências;


Um fone que lhe faça parar e dedicar boa parte de seu tempo para ouvir com atenção.







Um microfone, que amplie sua voz para que fale na hora certa e mantenha-se sempre em movimento/ação.  




Um bloquinho de anotações e lápis são muito importante para que escreva seus mais profundos pensamentos e a novas ideias que surgirem. E... Não se esqueça de registrar as emoções que viverá!

E lembre-se de pensar e agir sempre com o coração, pois os vínculos criados e as atitudes com afeto são para toda a vida e fazem a nossa caminhada juntos ser mais leve,  agradável e feliz!

Sucesso, paz e felicidade!
Composto por Carla Romano, enquanto aluna do curso de pós-graduação em Psicopedagogia, sob minha coordenação.







quarta-feira, 1 de agosto de 2012

SOBRE LIÇÃO DE CASA


Caros amigos,
Há alguns anos escrevi artigo intitulado "o Tempo e a Hora da Lição de casa", o qual, na época gerou muita reprovação por parte dos professores. Reproduzo-o abaixo:

                  O TEMPO E A HORA DA LIÇÃO DE CASA


                        A maioria das pessoas já deve ter ouvido aquela história do homem que foi reanimado após longo período de congelamento e que, aturdido diante das mudanças ocorridas no mundo, encontrou refúgio em uma escola onde a mudança não havia chegado.

                       Esta fábula é usada para demonstrar o paradoxo de uma instituição que deveria ser agente de mudança, mas que reluta em aceitar e acompanhar as transformações sociais.
                        É comum ouvirmos professores e gestores escolares se queixarem da família que não acompanha mais as atividades de seus filhos na escola, que não se interessa por eles, que tudo delega aos docentes, etc. Como se a família de hoje possuísse a mesma estrutura daquela de anos atrás! Parece que o ingresso da mulher no mercado de trabalho, a nova divisão de tarefas familiares, contextos originais incluindo casais homossexuais, não existissem de fato!
                        De acordo com esta realidade proponho uma análise da velha prática da lição de casa com suas repercussões na vida das crianças, seus familiares e seus professores. Chamo de “velha” tal atividade, porque considero que este adjetivo se refere a tudo aquilo que não pode mais ser utilizado, porque não possui mais as condições para tal. Não é o mesmo que “antigo” que pode ser utilizado há muito tempo, sem perder, contudo, as características inerentes ao seu valor e utilidade.
                          Penso que a lição de casa é uma prática envelhecida, que deveria ser descartada ao longo dos próximos anos, porque perdeu sua razão de ser.  Devem permanecer as práticas antigas, que sempre sustentaram a transmissão de conhecimentos entre gerações, tais como o cultivo de valores morais, da criatividade, da autonomia.
                           Neste mundo desigual de nosso tempo, a criança de classe média ou alta tem muitas atividades extra classe que ocupam seu tempo, tais como esportes, dança, informática, línguas estrangeiras dentre outras, que permitem a ampliação do campo de aprendizagens muito além do que a escola propõe. Aquela das classes menos favorecidas geralmente assume tarefas domésticas muito cedo por força de suas circunstâncias de vida ou é inserida em projetos sociais que ocupam o tempo extra-escolar com atividades de desenvolvimento pessoal propostas por instituições ou associações sem fins lucrativos. Seja qual for a realidade econômica e social, todas são expectadores de TV, recebendo muita informação. A lição de casa torna-se, para elas, uma obrigação difícil neste contexto na medida em que têm muitas outras formas de aprendizagem promovidas pelo ambiente social, apresentadas de forma mais interessante e estimulante. 
                           As famílias, por sua vez, não conseguem mais acompanhar as tarefas escolares propostas para serem realizadas no lar, porque aquela que ocupava esta função não pode mais faze-lo devido às novas tarefas que foram impostas à mulher / mãe no âmbito das relações produtivas. Além disso,  a divisão natural de trabalho ainda não atingiu verdadeiramente a maior parte dos casais. Tanto a mulher pobre, como aquela com melhores condições financeiras, estão inseridas no mercado de trabalho e passa grande parte do seu tempo fora de casa, o que inviabiliza de fato o acompanhamento extra-escolar das crianças. Quem tem condições contrata uma professora particular, ou uma explicadora, para exercer esta função. Mas... quem não tem....  A lição de casa torna-se, de acordo com esta realidade um problema, pois causa conflitos, gritos, brigas, desgastando as relações familiares e ocupando o pouco tempo de convivência que pais e filhos ainda desfrutam; gera culpa nas crianças e nos adultos.
                             Os professores alegam que a lição de casa é necessária para fixar a aprendizagem. Será que quatro horas diária de aulas não são suficientes para isso?  Alegam também que as tarefas passadas para serem realizadas em casa desenvolvem a responsabilidade. Será que as crianças que praticam esportes ou dança, que estudam línguas, não têm oportunidades, em tais atividades, de se tornarem responsáveis? E aquelas que assumem tarefas domésticas no lugar de adultos, que são responsáveis muitas vezes pela criação de irmãos menores? Alegam também que os pais exigem que seus filhos levem lições para casa temendo que se atrasem no desenvolvimento de seus estudos. Será que estes pais são orientados pelos professores no que diz respeito ás novas exigências sociais, às mudanças inseridas na legislação educacional, no sistema de acesso à Universidade?
                             Resta pensar que a lição de casa é ministrada porque se tornou um hábito e, como todo costume, deixou de ser pensado, de ser problematizado e caiu no círculo vicioso da repetição.
                              Convém também ressaltar que a necessidade de atenção, de acompanhamento, de encorajamento de uma criança deve ser atendida por sua família e seus professores, mas tal necessidade não pode ser substanciada de forma simplista na lição de casa. Pesquisas indicam que as crianças bem sucedidas na escola são aquelas cujos sentimentos de competência, de pertinência, de individuação, são estimulados pelos adultos que as educam e isso não é conseguido apenas com a realização de tarefas, mas exige dos familiares e educadores um compromisso com cada uma delas.
                              Possibilitar a reflexão sobre a educação das crianças, auxiliar os pais nesta função é a tarefa da escola e dos professores. Urge que se discuta na reunião de docentes, de pais, no colegiado escolar e nos conselhos comunitários, a permanência da lição de casa e os benefícios e malefícios que ela produz.
                              Somente após tal reflexão será possível decidir sobre mudanças ou permanências nesta prática tradicional e encaminhar propostas adequadas à nova ordem social vigente. A prática pela prática esgota-se em si mesma. A escola permanece como instituição porque, apesar da aparência conservadora, sempre foi capaz de discutir as questões relevantes para a comunidade que atende, colaborando, desta maneira, para o desenvolvimento de práxis educativas para as gerações futuras.


Hoje me deparei com matéria publicada a este respeito, no Jornal Folha de São Paulo, sobre o mesmo tema e disponibilizo-o aqui para estimular reflexões a respeito:


Pai não é professor particularROSELY SAYÃO - FOLHA DE SÃO PAULO - 31/07/2012 - SÃO PAULO, SPA criançada está de volta à escola. Foi bom esse tempo sem rotina, sem horário e sem obrigações escolares. Mas, será bom, também, o retorno a uma vida organizada.Faz bem para os mais novos saber, pelo menos um pouco, como será o dia seguinte. Dá a eles sensação de segurança, estabilidade.Nos primeiros dias na escola, é uma alegria para as crianças encontrar os colegas que não viram por quase um mês, contar as novidades, voltar a brincar com os amigos no recreio. Mas, logo depois recomeça, para muitos, uma jornada bem árdua.Não, não me refiro aqui aos deveres escolares e à tarefa de ter de aprender algo que não sabem -situação que nós sabemos ser bem difícil. Muitas crianças sofrem, de fato, com essas questões.Custa a elas assumir as pequenas responsabilidades que lhes cabem e custa mais ainda aceitar que não sabem e que precisam aprender para saber. E isso requer esforço e concentração.Nos tempos atuais, as crianças são iludidas pelas imagens e isso faz com que elas pensem que já sabem a respeito de quase tudo. `Eu sei` é a frase curta que repetem várias vezes ao dia, já reparou?Mesmo com tais dificuldades, as crianças podem superar os seus desafios escolares e colocar em atos o potencial que têm.Quando falei em jornada árdua, eu me referia ao envolvimento dos pais, tão requisitado atualmente, na vida escolar dos filhos.A frase `Se os pais acompanham de perto a vida escolar dos filhos, esses se saem melhor na escola` resume o principal argumento que leva adultos a estudar com as crianças, a fazer as lições de casa junto com elas, a providenciar trabalhos, a coletar informações na internet etc.A afirmação acima é verdadeira, claro. Qualquer pessoa que tenha ajuda em qualquer coisa se sai melhor. O problema é o equívoco que esse pensamento contém.Na escola, sair-se bem é aprender -e não simplesmente alcançar boas notas. E aprender, caro leitor, é uma tarefa que a criança precisa realizar sem a ajuda dos pais.Com o estilo de vida que nós adotamos, cada vez mais uma enorme quantidade de pais acredita que precisa acompanhar os estudos do filho e até realiza isso de bom grado. Quer dizer, mais ou menos.No início, até que a coisa vai bem, mas logo a paciência acaba e a relação entre os pais e o filho fica conturbada. É que os pais cobram esforço, dedicação e lição correta. E não costuma ser isso o que os filhos produzem.Para muitos desses pais, a tarefa parental se resume a esse acompanhamento da vida escolar e à gestão da vida do filho. A função dos pais é bem maior do que isso: é acompanhar a vida do filho.A função dos pais é dar ao filho a oportunidade de ele próprio se responsabilizar por sua vida escolar. É estimular no filho a vontade de formular perguntas que envolvem o conhecimento, de dirigi-las aos pais e de ficar interessado nas respostas. É, também, dar ao filho a chance de ele saber que é capaz de enfrentar sua própria batalha sozinho e dar conta dela.Essas são coisas muito mais importantes para a criança do que ter a mãe ou o pai sempre presente nos trabalhos, nas provas etc.Neste retorno às aulas, dê chance para que seu filho se aproprie de seus estudos. Isso não significa abandoná-lo. Ele precisa ser lembrado, incentivado, encorajado a assumir suas responsabilidades escolares e a seguir sempre em frente, mesmo com dificuldades e obstáculos.Mas isso pode ser feito sem que os estudos se tornem mais importantes para os pais do que para ele próprio.Os pais precisam se lembrar de o que filho já tem professores na escola, que é o local especializado no ensino. Em casa, a criança precisa é de pais, e não de professores particulares ou tutores.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

OPORTUNIDADE DE ESPECIALIZAÇÃO EM EaD

Como psicopedagoga sempre estive atenta às mudanças de cenários educacionais, pois, trabalhar com mudança é a atividade da Psicopedagogia.Sendo assim, comecei a atuar na EaD há cerca de 7 anos, de início intuitivamente e hoje, profissionalmente, por meio dos Projetos Aprender Virtual  e EducEAD e coordeno um curso de pós-graduação a distância em Psicopedagogia pela Fundação Aprender em parceria com o Centro Universitário Newton Paiva. 


Penso que a EaD é um campo de trabalho muito rico para o psicopedagogo.Por isso, sugiro a vocês, meus amigos, que atentem para esta notícia:

"A Universidade Federal Fluminense (UFF), por meio do Laboratório de Novas Tecnologias de Ensino (Lante), abriu inscrições para o curso de Especialização em Planejamento, Implementação e Gestão da EaD. O curso, totalmente a distância e gratuito, é oferecido pelo sistema de UAB.O objetivo do curso é socializar as experiências de exercício da metodologia da Educação a distância implementadas pela UFF e capacitar professores e profissionais.O edital completo e todas as informações podem ser obtidas no site do Lante. As inscrições vão até o dia 12 de agosto. Esta é mais uma oportunidade de você enriquecer seu currículo e se especializar na área da Educação a Distância.".


terça-feira, 24 de julho de 2012

Harvard para as massas



NIZAN GUANAES - FOLHA DE SÃO PAULO - 24/07/2012 - SÃO PAULO, SP

De todas as promessas de revolução, a da educação on-line está cada vez mais próxima.
E não sou eu quem diz isso. Mas o pessoal de Harvard, MIT, Princeton, Stanford. Essas e outras universidades americanas de excelência estão fazendo um movimento histórico de transferir seus cursos para plataformas digitais e oferecê-los para o mundo todo, boa parte deles, gratuitamente.
Você só precisa de duas coisas para acessar esses templos do ensino: falar inglês e ter uma conexão digital. São duas coisas que você já precisa `anyway`.
Com o inglês e a conexão digital, você pode entrar nos sites coursera.org (para se inscrever em cursos gratuitos de Stanford, Princeton, Caltech, Rice, Johns Hopkins e outras universidades de ponta) ouedxonline.org (para cursos em Harvard e MIT) e escolher sua poltrona preferida para acompanhá-los.
Harvard e MIT começam a oferecer seus cursos no edX a partir de setembro e esperam educar nada menos de 1 bilhão de pessoas com seu serviço digital. Ou um em cada sete habitantes do planeta educados por Harvard ou pelo MIT. Isso não é uma revolução?
Essas universidades prometem uma nova experiência na educação on-line, com maior interatividade aluno-professor e um intenso `feedback` que possa ajudá-las a reprogramar seus currículos para a maciça audiência global.
Não sou um educador, mas, como embaixador da Unesco e membro do Todos pela Educação, sou um empregador comprometido com a educação. Vejo frequentemente no meu setor a necessidade de reformar o ensino para aproximá-lo do mercado de trabalho. A revolução da educação on-line pode ajudar muito nesse processo ao aproximar a educação das pessoas e as pessoas, da educação.
Um professor da Universidade de Michigan disse ao `New York Times` que estava animadíssimo porque 40 mil alunos do mundo todo tinham baixado o vídeo do seu curso, o que, nas contas, dele era uma audiência que só alcançaria em 200 anos de aulas tradicionais. A Coursera conseguiu 700 mil alunos on-line em poucas semanas de atividade.
Como tanta coisa nesta era da comunicação, este é um momento disruptivo na educação. E estamos vendo só o começo do começo. O diretor acadêmico de Harvard previu que daqui a cinco anos a educação on-line será completamente diferente do que temos hoje. O que não parece que vai mudar é a tendência de acesso cada vez maior, brutalmente maior, à educação via web.
Isso me anima vendo o mundo do Brasil.
Depois dos saltos que demos nas últimas duas décadas, fica claro que a maior carência do nosso país e o trampolim inescapável para o próximo salto de desenvolvimento é a educação.
Já temos uma mão de obra numerosa e fantástica. O brasileiro trabalha muito, é dedicado, empreendedor, criativo. Quem não conhece aquele camarada que tem dois, três empregos e vai firme para todos; ou aquele pequeno empreendedor, muitas vezes informal, se virando como pode, com uma flexibilidade aguda, natural e muito valiosa para os negócios.
O que falta a eles para o salto transformador é a educação. Esse empresariado emergente, com acesso à educação e às melhores práticas de gestão, levará a economia brasileira a outro patamar. Os cursos on-line são a forma mais rápida, barata e eficaz de fazê-lo.
Nossas universidades púbicas, que formam a elite do ensino brasileiro e já têm iniciativas no mundo on-line, poderiam radicalizar seu caráter público com cursos digitais gratuitos pela web para todo o país, eventualmente apoiados por corporações que tanto se beneficiarão da revolução da educação.
Vivemos uma nova era de grandes descobrimentos. O homem só descobriu que a Terra era azul ao sair do planeta. Educar-se é sair de si mesmo em busca de um conhecimento do mundo e das coisas. Essa viagem da educação é a viagem da sua vida. Você se descobre outro depois dela.
Nosso país se descobrirá de novo depois dela.
A diferença é que desta vez seremos nós a nos descobrir. Será a nossa verdadeira emancipação, a nossa emergência definitiva.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Sextas Jornadas sobre Problemas Actuales en la Gestión de las Instituciones Educativas .


Tema: "La supervisión de la tarea docente. ¿Cómo ayudar a los maestros a enseñar mejor?"


Disertantes que ya han confirmado su presencia
Matemática: Horacio Itzcovich
Lengua: Mirta Torres
Ciencias Naturales: Hilda Weissmann
Ciencias sociales: Gustavo Gotbeter
Tecnología: Abel Rodriguez de Fraga

Fecha: 5 y 6 de Octubre de 8:30 a 18hs.
Lugar: Ciudad Autónoma de Buenos Aires (dirección a confirmar)
Inscripción hata el 15 de julio: $320.-

Forma de pago: Pago Fácil o Tarjetas de Crédito Visa y Mastercard

A criatividade de nossas crianças

Caros amigos,
Compartilho aqui matéria surpreendente para aqueles que pensam que a tecnologia atrapalha a criatividade de nossas crianças:


Crianças estão ficando cada vez mais criativas
POR CHANNING SPENCER E VAGNER DE ALENCAR, DO PORVIR - PORTAL APRENDIZ - 06/07/2012 - SÃO PAULO, SP
As crianças estão cada vez mais entretidas por jogos tecnológicos que simulam a realidade e têm bem menos tempo – do que os seus pais tiveram – para brincar e criar os próprios brinquedos a partir de outros objetos, como dar vida a um carrinho com uma caixa de papelão ou uma roupa de boneca por meio de folhas de papel. Mas isso não significa que elas estejam ficam menos criativas. Pelo contrário. Pesquisa recente, realizada nos Estados Unidos, garante que os pequenos estão com a imaginação solta.
Estudo feito por pesquisadores da Universidade de Case Western, em Cleveland, nos Estados Unidos, mostra que as crianças americanas de ensino fundamental, mesmo com menos tempo livre para o brincar, têm uma imaginação mais aguçada e ficam, inclusive, mais à vontade para interagir com amigos imaginários do que aquelas nascidas há duas décadas.
Os resultados surpreenderam os pesquisadores. “Nós achávamos que tudo ia ficar pior com a falta de tempo e que as crianças não seriam capazes de interagir com os brinquedos tradicionais. Ficamos surpresos com a descoberta e achamos que ela é de suma importância”, disse Sandra W. Russ, professora de psicologia da universidade ao EdWeek.
A pesquisa, chamada de Changes in Children’s Pretend Play Over Two Decades (As mudanças nas brincadeiras de faz de conta ao Longo de duas décadas, em tradução livre), comparou, durante 23 anos, crianças com da mesma faixa etária, de 6 a 10 anos, entre 1985 e 2008.
Disponibilizado on-line este ano, o estudo avaliou hábitos e brincadeiras de 900 crianças de bairros de classe média e de comunidades vulneráveis dos EUA. Os estudantes tiveram suas atividades gravadas enquanto conversavam com os avaliadores e brincavam com diferentes objetos como cubos e fantoches.
Criando os próprios brinquedos
A ideia era observar de que forma elas interagiam com os brinquedos e como, a partir de diferentes objetos, criavam novos brinquedos – como caixas transformadas em carrinhos e prédios, ou colares a partir de contas e miçangas. Em seguida, os pesquisadores mediam o nível de imaginação, expressão emocional e capacidade de contar histórias das crianças.
A conclusão dos pesquisadores foi que as crianças não apresentaram diferenças na organização, no envolvimento emocional com a brincadeira ou na capacidade de contar histórias. Porém, o estudo mostrou um aumento considerável (numa escala de um a cinco), na qualidade e no desenvolvimento da imaginação das crianças dos dias atuais.
Segundo Russ, crianças com mais imaginação não são necessariamente mais inteligentes, mas mostram maior habilidade em lidar com os desafios e resolver problemas do que estudantes que são menos criativos no brincar. Mas, os estudiosos ressaltam que, mesmo sendo hoje mais criativas, os processos cognitivos que acontecem nas brincadeiras tradicionais continuam sendo importantes para o desenvolvimento das crianças.
Nos Estados Unidos, de acordo com dados da Universidade de Medford, nessas duas décadas, as crianças americanas diminuíram em oito horas o tempo semanal dedicado às brincadeiras depois que chegam da escola. O que apontaria para uma “perda da cultura da infância”.

sábado, 7 de julho de 2012

Sobre professores e tecnologias da educação, por Frederic Litto, presidente da ABED


A Resistência a Mudanças
FREDRIC LITTO - O ESTADO DE SÃO PAULO - 03/07/2012 - SÃO PAULO, SP

Ao iniciar um blog sobre “tecnologia educacional” (TecEd), é necessário confessar que se trata de uma missão um tanto ingrata, considerando que, no Brasil, a simples menção do termo provoca, simultaneamente, impressões favoráveis e desfavoráveis por parte dos educadores. Mais polêmico do que as diferenças entre as meta-teorias educacionais (comportamentalismo, cognitivismo, construtivismo¸ perenialismo, essencialismo, progressivismo, reconstrucionismo e o extenso grupo de subteorias como aprendizagem situada, significante, observacional e transformacional, entre outros) a TecEd atrai críticos inconformados com suas inevitáveis ligações com o comércio e a indústria (setores vinculados à produção de objetos para a TecEd) e suas constantes exigências de “mudanças” no processo ensino/aprendizagem.
Educadores (ou outros profissionais) engajados em questões de TecEd, cuja experiência prática demonstra que 1/5 dos professores de todas as etapas da hiearquia educacional são ávidos pela chegada de novos instrumentos destinados ao aumento da eficácia da aprendizagem de alunos, entusiasticamente querem ser os primeiros a poder experimentar com eles; um outro quinto reage com ódio e desprezo contra qualquer sugestão, referente a uma tecnologia que ameaça a obrigatoriedade de uma mudança em suas práticas profissionais. Finalmente, há três quintos que vacilam dependendo das tradições culturais e da qualidade de lideranças locais, mas que, eventualmente, acompanham a adoção da nova TecEd.
Assim, quem tiver a paciência de acompanhar este blog, abrindo-se às ideias às vezes propositalmente provocativas, e quiser se manifestar contra ou a favor quanto das novas constatações, honrará o responsável do blog e, talvez, ficará mais informado sobre os avanços da TecEd no processo de ensino/aprendizagem. Com certeza, um dos tópicos freqüentes no blog será da resistência às mudanças entre educadores e instituições educacionais no Brasil, porque constitui a principal causa do atraso no desempenho dos estudantes quando comparado com seus similares em outros países. Abominar a mudança de práticas de longa data não é uma atitude recente entre os seres humanos, embora algumas nações modernas tenham conseguido reduzir a obstinação contra o “novo”. Já no século dezesseis, um conhecido sábio italiano observou que, “…no tocante à introdução de mudanças”:
… deve ser lembrado que não há nada mais difícil para iniciar, mais perigoso para conduzir, ou mais incerto no seu sucesso, que assumir a liderança de uma nova ordem de coisas. Dessa forma, o inovador tem como inimigos todos aqueles que se saíram bem nas condições antigas, e como defensores mornos aqueles que poderiam se sair bem nas novas. Esse frescor surge em parte do medo dos opositores que têm as leis ao seu lado, e em parte da incredulidade dos homens que não acreditam prontamente em inovações, até que tenham uma longa experiência com elas. Assim, quando aqueles que são hostis têm oportunidade para atacar, eles o fazem como guerrilheiros, enquanto os outros o defendem mornamente… (Níccolo Machiavelli, O Príncipe, 1513)
A resistência a mudanças, vista de uma outra perspectiva, nos obriga a lembrar a útil categorização etária daqueles que confrontam novidades que surgem a sua volta, elaborada por Douglas Adams, autor do celebrado O Guia do Mochileiro das Galáxias:
Qualquer coisa que já estiver no mundo quando você nascer é normal e ordinária e simplesmente uma parte da maneira pela qual o mundo funciona. Qualquer coisa inventada no período em que você tem de quinze a trinta e cinco anos é nova, excitante e revolucionária, e provavelmente lhe oferece a oportunidade de seguir uma carreira nela. Qualquer coisa inventada depois que você chegou a trinta e cinco anos é contra a ordem natural das coisas.
Deve ficar evidente que o assunto TecEd tem todo o potencial para ser uma “batata quente” num espaço livre para a circulação de idéias, convicções e tentativas de persuadir os outros a aceitar as nossas visões. Desde que opiniões estejam acompanhadas de exemplos, fatos comprováveis e referências imbuídas de autoridade, esta conversa virtual será cada vez mais útil. Douglas Adams, mais uma vez, bem observa: “Todas as opiniões não são iguais. Algumas são bem mais robustas, sofisticadas e apoiadas em lógica e argumentos do que outras”. Até o próximo post!

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